CIÊNCIA COM NOME DE MULHER

Hoje é dia

INTRODUÇÃO

A história da ciência quase sempre deixa de lado as mulheres que ajudaram a construir grandes teorias, e a história de Mileva Maric prova exatamente isso. Ela nasceu na Sérvia e desde cedo mostrou que era brilhante e muito dedicada a matemática, tanto que virou uma das primeiras mulheres a estudar física no Instituto Politécnico de Zurique. Foi exatamente lá que ela conheceu Albert Einstein,que futuramente se tornaria seu marido e o cientista mais famoso do mundo.

E com esse intuito de mostrar um pouco de Mileva Maric, esse trabalho quer mostrar como foi a vida dela e entender se ela realmente foi uma peça importante na física ou se ficou apenas na sombra do marido devido ao preconceito contra as mulheres que havia na época, e convenhamos, até hoje.

BIOGRAFIA

Nascida em 19 de dezembro de 1875, na Sérvia, filha de um oficial do governo do Império Austro-Húngaro, Mileva Maric cresceu num ambiente de posses e riquezas que permitia que ela seguisse uma carreira acadêmica. Na época, inclusive, a carreira era pouco convencional para moças.

Desde muito nova, ela chamava a atenção na escola porque era excelente em matemática e física, matérias que os homens da época achavam que mulheres não tinham capacidade de entender, já que eram relativamente difíceis de compreender.

Por conta de seu destaque e da influência do pai, Mileva conseguiu uma vaga na como aluna especial na Royal Classical High School de Zagreb, frequentada apenas por homens, em 1891. Três anos depois ela conseguiu uma nova permissão e, então, passou a estudar física. Na época, suas notas era as maiores da turma.

O INSTITUTO POLITÉCNICO DE ZURIQUE

Depois de passar um tempo na Alemanha assistindo a aulas como ouvinte na Universidade de Heidelberg para aprender equações complexas, Mileva decidiu ir para a Suíça, onde viu oportunidade, já que era um dos únicos lugares na Europa onde as mulheres podiam entrar na faculdade livremente. Em 1896, ela passou no difícil vestibular do Instituto Politécnico de Zurique.

A VIDA COM EINSTEIN

Ela foi a quinta mulher a ingressar no curso e a única em uma sala de seis alunos, um deles sendo Albert Einstein, três anos mais novo que ela. Enquanto ele tinha fama de aluno preguiçoso, ela era estudiosa. No começo, Mileva e Einstein eram apenas colegas de classe que sentavam juntos para estudar para as provas, mas logo eles começaram a namorar. A relação deles não era só amorosa, era também uma parceria nos estudos muito forte. Em 1899, ficaram noivos.

Einstein se formou no ano seguinte, ao passo que Maric reprovou nos exames finais e teria que refazê-los em 1901, quando descobriu estar grávida. Uma menina nasceu, Lieserl, mas pouco se sabe sobre o destino dela.

As 43 cartas entre os dois que foram preservadas mencionam "nossos trabalhos" e "nossa teoria do movimento relativo", "nosso ponto de vista" ou "nossos artigos". Há ainda muitos relatos de que os dois vieram a trabalhar juntos.

Mileva teve outros dois filhos, Hans Albert (1904, entrando para a história como o primeiro filho de Einstein durante muito tempo) e Eduard (1911).

Eduard foi diagnosticado com esquizofrenia aos 22 anos, criando uma grande ruptura e tristeza na família.

O PRÊMIO NOBEL (DE EINSTEIN)

Uma coisa que chama muito a atenção dos pesquisadores é o contrato de divórcio que eles assinaram em 1919. Einstein prometeu em cartório que, se ganhasse o Prêmio Nobel de Física no futuro, daria todo o dinheiro do prêmio para ela.

Quando ganhou o Nobel de Física, em 1921, Einstein cumpriu o prometido e entregou parte do dinheiro à ex-esposa. Eles haviam se divorciado três anos antes, em 1919, sem que suas contribuiães para a física fossem divulgadas ao mundo.


As gestações de Mileva podem ter contribuído para que ela se afastasse do alto escalão que recebia mais destaque entre cientistas. Além disso, é claro, o próprio preconceito com cientistas femininas ajudou no esquecimento histórico.

O caso de Mileva virou um exemplo clássico do "Efeito Matilda", que acontece quando a sociedade ignora o trabalho de uma mulher cientista e dá todo o crédito para o homem. O mundo só descobriu sua importância em 1987, quando as cartas dos dois foram finalmente encontradas e publicadas.

MORTE E LEGADO

Mileva morreu em 4 de agosto de 1948, em Zurique, na Suíça, aos 72 anos, em decorrência de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) grave, que a deixou com o corpo parcialmente paralisado (hemiplegia) em seus últimos dias.

Mileva Maric foi muito mais do que apenas a primeira esposa de Albert Einstein. Ela foi uma cientista de sucesso que teve que lutar contra o preconceito de uma época em que as universidades faziam de tudo para as mulheres desistirem da carreira acadêmica, como foi visto.

Mesmo que hoje em dia ainda não existam documentos que provem com 100% de certeza o tamanho exato da participação dela nos artigos da Relatividade, as cartas do casal deixam claro que ela participou ativamente das discussões intelectuais. Resgatar as curiosidades e a importância histórica de Mileva Maric é fundamental para realçar, e fazer justiça com as mulheres na ciência.

 

"Nós terminamos recentemente um trabalho importante, que fará meu marido famoso em todo o mundo."

Mileva Maric (1875 - 1948)
 
Site em conformidade com o padrão CSS válido!
Testado para os navegadores Mozilla Firefox e Google Chrome.