CIÊNCIA COM NOME DE MULHER
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INTRODUÇÃO
Bertha Maria Júlia Lutz foi uma das personalidades mais marcantes da história brasileira. Cientista, política e ativista feminista brasileirsa, ela trilhou um caminho pioneiro em uma época em que as mulheres eram sistematicamente excluídas da vida pública, do ensino superior e das instituições políticas.
BIOGRAFIA
Nascida em 2 de agosto de 1894, Bertha foi filha do renomado médico e cientista Adolfo Lutz, pioneiro da medicina tropical no Brasil, e da enfermeira inglesa Amy Fowler.
A sua infância foi marcada por interações com debates intelectuais e pelo estímulo a educação.
Desde cedo, Bertha demonstrou um interesse por questões sociais e científicas, sendo educada em um ambiente progressista que enfatizava a importância da igualdade de gênero e do acesso ao conhecimento.
Ela cresceu num ambiente intelectualmente estimulante. Ainda adolescente, foi estudar na Europa, onde tomou contato com o efervescente movimento sufragista inglês.
FORMAÇÃO ACADÊMICA
Bertha Lutz teve uma formação acadêmica bem prestigiada em uma época em que mulheres tinham pouco acesso ao ensino superior era muito limitado.
Após a conclusão dos seus estudos iniciais no Brasil foi a França, onde ingressou na renomada universidade de Paris, conhecida como Sorbonne, graduando-se em Ciências Naturais em 1918, especializando-se em biologia de anfíbios.
Ao retornar ao Brasil, tornou-se a segunda mulher a ingressar no serviço público federal por concurso, assumindo o cargo de bióloga no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Ao longo de sua vida, Bertha Lutz soube unir com mestria sua carreira científica e sua militância feminista, deixando um legado que transforma o Brasil até os dias atuais.
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No Museu Nacional, Bertha dedicou mais de 46 anos à pesquisa zoológica, com foco especial nos anfíbios brasileiros como sapos, pererecas e rãs. |
Contribuiu para catalogar milhares de espécies nacionais e publicou estudos científicos reconhecidos internacionalmente, como "Observations on the life history of the Brazilian Frog" (1943) e "New Frogs from Itatiaia Mountain" (1952).
Seu trabalho foi tão significativo que seis espécies receberam seu nome em homenagem: quatro espécies de rãs (Pristimantis lutzae, Dendropsophus berthalutzae, Megaelosia lutzae e Scinax berthae) e dois lagartos (Liolaemus lutzae e Phyllopezus lutzae).
CURIOSIDADES
Em 1926, Bertha Lutz recebeu no Museu Nacional uma visitante ilustre: a cientista Marie Curie, única pessoa na história a receber dois Prêmios Nobel em ciências distintas.
O encontro entre as duas simboliza a luta das mulheres pelo reconhecimento na ciência em uma época de grandes barreiras de gênero. | ![]() |
Não há menção alguma em documentos públicos de que Bertha Lutz tenha se casado ou tido filhos. Sua vida foi dedicada à luta pelos direitos da mulher e ao avanço científico do Brasil.
Como muitas mulheres envolvidas com o movimento feminista, ela escolheu se concentrar suas energias no trabalho político e social, pela sua concentração ela conseguiu se tornar um modelo de independência e de dedicação a causas públicas.
PERDA DO ACERVO
Tragicamente, o acervo pessoal de Bertha Lutz, incluindo documentos, fotografias, gravações de sua voz e registros de pesquisa, foi totalmente perdido no incêndio que destruiu grande parte do Museu Nacional, em 2 de setembro de 2018. O material foi declarado Patrimônio Documental Perdido pela Unesco. Apesar disso, seu legado permanece vivo através de suas publicações científicas e das espécies que receberam seu nome.
MORTE E LEGADO
Bertha Lutz faleceu em 16 de setembro de 1976, no Rio de Janeiro, aos 82 anos, vítima de insuficiência respiratória. A causa de sua morte mostrava complicações de saúde que a atingia por algum tempo, era provocada pela sua idade avançada e de uma vida intensa e dedicada a inúmeras causas sociais e políticas.
O legado de Bertha Lutz não se limita às conquistas do seu tempo. Ela abriu caminhos que as gerações seguintes continuaram a trilhar. Sua visão era clara: sem educação, sem participação política e sem igualdade no trabalho, as mulheres jamais alcançariam a cidadania plena.
Em 2001, o Senado Federal instituiu o Diploma Mulher Cidadã "Bertha Lutz", concedido anualmente a pessoas e instituiçõoes que se destacam na defesa dos direitos das mulheres.




