CIÊNCIA COM NOME DE MULHER

Hoje é dia

INTRODUÇÃO

Dorothy Crowfoot Hodgkin foi uma das cientistas mais importantes da química do século XX. Nascida em 1910, na Inglaterra, dedicou sua vida ao estudo da estrutura de moléculas utilizando a cristalografia de raios X, uma técnica que revolucionou a compreensão das substâncias químicas e biológicas.

Suas pesquisas permitiram a descoberta das estruturas de moléculas fundamentais para a medicina, como a penicilina, a vitamina B12 e a insulina. Por suas contribuições para a ciência, recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1964, tornando-se uma referência mundial na área.

BIOGRAFIA

Dorothy Crowfoot Hodgkin nasceu em 12 de maio de 1910, no Cairo, Egito, onde sua família britânica vivia naquele período. Desde jovem demonstrou interesse pela ciência, principalmente pela química.

Durante sua infância e adolescência, teve contato com estudos científicos que influenciaram sua escolha profissional. Dorothy estudou química na Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde desenvolveu pesquisas relacionadas à estrutura dos cristais.

Ao longo de sua carreira, tornou-se uma especialista em cristalografia de raios X, técnica utilizada para descobrir a organização dos átomos dentro das moléculas. Seus estudos permitiram identificar a estrutura de importantes substâncias, tais como a penicilina, Vitamina B12 e a insulina.

Em 1964, ela recebeu o Prêmio Nobel de Quimica por suas descobertas, tornando-se uma das principais cientistas da história da química.

FORMAÇÃO ACADÊMICA

Dorothy Crowfoot Hodgkin iniciou sua formação acadêmica em 1928 no Somerville College da Universidade de Oxford, onde estudou Química e Física. Em 1932, concluiu sua graduação com distinção máxima ("First Class Honours"), sendo uma das poucas mulheres de sua época a alcançar esse reconhecimento na área.

Durante sua formação, realizou pesquisas relacionadas à difração de raios X, técnica que seria fundamental em sua carreira científica. Posteriormente, realizou seu doutorado na Universidade de Cambridge, onde integrou o laboratório de cristalografia John Desmond Bernal.

Nesse período, aprofundou seus estudos em cristalografia e começou a aplicar essa técnica na análise da estrutura de moléculas biológicas, dando início às pesquisas que marcariam sua contribuição para a química e medicina.

A PENICILINA E O PRÊMIO NOBEL

Em 1928, o médico escocês Alexander Fleming deixou algumas placas com culturas de bactérias em seu laboratório, em Londres. Ao voltar de férias, notou que uma das placas havia sido contaminada por um tipo de fungo.

O fungo, identificado como "Penicillium notatum", produzia uma substância capaz de inibir o crescimento bacteriano. Nascia ali a penicilina.

Mas, embora Fleming tenha descoberto suas propriedades antibacterianas, a comunidade científica não conseguia desvendar sua estrutura química exata. Sem conhecer a disposição dos átomos, era impossível sintetizar o medicamento em laboratório.

Dorothy Hodgkin resolveu esse desafio em 1945. Utilizando a cristalografia de raios X, ela conseguiu mapear o arranjo tridimensional da penicilina.


"Nobel de uma esposa de Oxford". Foi assim que um jornal abriu a manchete ao anunciar, em 1964, que Dorothy Hodgkin havia vencido o Prêmio Nobel de Química. A linha seguinte reduzia sua vida a um estereótipo doméstico: "Uma dona de casa e mãe de 03 filhos ganhou ontem o prêmio Nobel de Química de 18.750 libras". Hodgkin não respondeu. Não precisava. Já passara a vida inteira ignorando subestimações enquanto fazia algo mais raro: enxergar o invisível.

ARTIGOS PUBLICADOS

Ao longo de sua carreira científica, Dorothy Crowfoot Hodgkin publicou diversos artigos relacionados &acrave; cristalografia de raios X e à estrutura de moléculas biológicas. Entre seus trabalhos mais importantes estão pesquisas sobre a estrutura da penicilina ("The structure of penicillin"), publicadas na década de 1940, que ajudaram a compreender a organização dessa molécula.

Também publicou estudos sobre a vitamina B12 ("The structure of vitamin B12"), cuja estrutura foi determinada por meio da cristalografia, e pesquisas posteriores sobre a estrutura da insulina. Seus artigos contribuíram para o avanço da química estrutural e da medicina.

CURIOSIDADES

Dorothy teve uma relação romântica e científica com J.D. Bernal. Ele foi seu mentor em Cambridge e, conhecido como "Sage", teve grande impacto em sua vida científica, política e pessoal. Bernal era comunista e defendia o uso da ciência em benefício social.

Os dois tiveram um relacionamento amoroso antes de ela se casar, em 1937, com Thomas Lionel Hodgkin, um renomado historiador marxista. Tiveram três filhos: Luke, Prudence e Toby.

Também foi pioneira em direitos maternos em Oxford: Foi a primeira mulher "fellow" (membro) de Oxford a receber licença-maternidade remunerada (em 1938) e a primeira a dar à luz enquanto ocupava o cargo. Na época, casamento já era incomum para mulheres "fellows". Ela deu palestras na Royal Society visivelmente grávida, sendo chamada de "Miss" mesmo casada.

MORTE E LEGADO

Dorothy Hodgkin faleceu em 29 de julho de 1994, aos 84 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). O óbito ocorreu em sua casa na cidade de Shipston-on-Stour, no condado de Warwickshire, Inglaterra.

Placa comemorativa verde em homenagem à ganhadora do Prêmio Nobel, Dra. Dorothy Hodgkin (1910–1994).

 

"Fui capturada para toda a vida pela química e pelos cristais."

Dorothy Crowfoot Hodgkin (1910-1994)
 
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